VIEWPOINTS 

Linguagens, Cruzamentos, Jam

 

Apresentação:

Laboratório Intensivo, em artes performativas, aberto a artistas e a estudantes de várias linguagens cénicas e artísticas (teatro, dança, circo, música, performance). Pretende-se juntar um coletivo de pessoas, com diversidade de experiências e de linguagens artísticas, interessadas em desenvolver uma linguagem de coletivo, a partir da percepção e da presença. No final, haverá uma Jam Session aberta ao público.

. Local Palco do Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
. Datas e Horários Julho, 2025
Segunda, 21 Julho: 15h00 – 18h00;
Terça a Quinta, 22, 23, 24 Julho: 10h00 – 13h30 e 15h00 – 17h00;
Sexta, 25 Julho: a partir das 15h00, com Jam Session a partir das 18h30

Descrição:

O que acontece no STOP e na SUSPENSÃO?

Se no STOP – quando imobilizamos o corpo – descobrimos a possibilidade de mudar drasticamente a ‘cena’, é na SUSPENSÃO que abrimos espaço ao movimento do olhar e à expansão do tempo da ‘cena’.

É esta a pergunta-chave do Laboratório Intensivo, orientado por Maria Ramos e Joana Pupo, que, nesta edição a convite do TAGV, trazem algumas pessoas convidadas que irão potenciar o cruzamento artístico.

Dando continuidade à investigação do diálogo entre improvisação e composição, neste laboratório iremos praticar os Viewpoints de tempo e espaço – como a duração, o gesto, a forma e a relação com a arquitectura – e desenvolver a capacidade de os manipular no contexto do jogo colectivo.

Aplicando o jogo da resposta imediata, treinamos a escuta expandida, diferentes focos de atenção emsimultâneo e a consciência do tempo cinestésico. Procuramos desenvolver a clareza da acção, integrando os princípios dos Viewpoints na criação partilhada que é a JAM.

Palavras-chave: jogo, Viewpoints, cruzamento de linguagens, resposta imediata, escuta expandida, JAM, diferentes focos de atenção, simultaneidade e multiplicidade, regra e subversão, colectivo, ficção, espaço e acção.

Na imagem estão quatro pessoas numa sala de ensaio. De frente para nós, três mulheres captadas num momento de salto, em que o seu corpo se suspende do ar. À direita um homem de perfil para a esquerda, que toca um trombone de varas.
Fotografia de Davide Costa
Na imagem está o grupo de participantes do Laboratório de Viewpoints no Teatro e na Dança, na sala de ensaios. Estão em círculo, de pé e entreolham-se. Uma mulher atravessa o círculo.
Fotografia de Davide Costa

Condições de Acesso:

>> Valor 5€ por pessoa

>> Número máximo de participantes 14 pessoas

>> A quem se dirige Pessoas a partir dos 16 anos, portuguesas ou estrangeiras; Estudantes e profissionais das artes performativas (não excluindo outras experiências e profissões); pessoas com interesse na prática dos Viewpoints;

O Laboratório é acessível a pessoas estrangeiras que não falem português (através da tradução para inglês*); pessoas com mobilidade reduzida, pessoas cegas e pessoas Surdas (através da interpretação para Língua Gestual Portuguesa).

>> Material Roupa prática para movimento; sapatilhas/ténis desportivos; garrafa de água; bloco de notas

>> Prazo para Inscrição até 8 de Julho
 
* In the case that you need the communication to be in english, or you’d like to get all the information above translated, please contact us by e-mail to mentedecao@gmail.com
INSCRIÇÕES

>> Sobre os VIEWPOINTS no contexto do Laboratório:

Os Viewpoints surgiram nos anos 60, em Nova Iorque, pela coreógrafa Mary Overlie, que organizou os princípios da composição em 6 categorias: space, shape, time, emotion, movement, story. O seu trabalho representa uma aproximação não hierárquica e pós-moderna à criação em cena. Foram adaptados para o teatro, durante os anos 70 e 80, por Anne Bogart e a SITI Company, que os alargaram e dividiram em 2 categorias: “espaço” e “tempo”. 

Maria Ramos e Joana Pupo, investigam em conjunto sobre o corpo multidisciplinar, desde 2018, com o projeto “Viewpoints na Dança e no Teatro”. O desejo de aprofundar um cruzamento de linguagens em cena levou-as a convidar um coletivo mais alargado. A equipa convidada vem de várias áreas cénicas e funciona como um grupo de formação alargado. Importa investigar como os Viewpoints, enquanto princípios da composição, se relacionam com outras linguagens e permitem criar um contexto de cruzamento. 

>> Sobre Maria Ramos e Joana Pupo e sua relação com os Viewpoints:

Maria Ramos, bailarina e coreógrafa,  conheceu o trabalho de Viewpoints na improvisação e composição em dança segundo a sua primeira ‘organizadora’, a coreógrafa Mary Overlie. Mary declarou que ninguém pode inventar os Viewpoints porque eles já lá estão e existem para revelar a estrutura da composição, a estrutura da experiência.

Joana Pupo, actriz e encenadora, conheceu os Viewpoints através de Anne Bogart e da SITI Company, que há mais de três décadas desenvolvem a adaptação dos Viewpoints para o teatro e praticam uma relação estreita entre a improvisação e a composição, onde a escuta e o movimento são a base de toda a criação. Em 2023, Joana esteve também em estágio com as atuais coreógrafas do Mary Overlie Legacy Project. (Esta é também uma oportunidade de partilhar as novas pesquisas, realizadas em Nova Iorque, recentemente.)

Maria Ramos e Joana Pupo encontraram-se em 2011 no contexto do Grupo Ready Made, projecto interdisciplinar de práticas de improvisação e de composição em tempo real, iniciado por Joana Pupo, que a partir da linguagem comum dos Viewpoints, juntava bailarinos, músicos, actores, artistas plásticos e escritores para criarem em contexto de JAM.

A partir de 2018, desenvolveram o projeto “Viewpoints na Dança e no Teatro”, com três momentos de pesquisa:

– Viewpoints na Dança e no Teatro: Stop. Suspensão. Olhar; no Forum Dança, Lisboa, Junho 2019;

– Viewpoints na Dança e no Teatro: Corpo. Paisagem. Ficção; no Forum Dança, Lisboa, Setembro 2019;

– Viewpoints na Dança e no Teatro; no Polo Cultural das Gaivotas, Lisboa, Fevereiro, 2020.

 

>> Biografias 

JOANA PUPO

Atriz e criadora, desde 2002, tem colaborado com diversos criadores e companhias, das quais destaca os trabalhos mais recentes com Marina Nabais Dança, Marlene Barreto, Companhia Caótica, Ritual de Domingo/Sónia Barbosa, Cem Palcos/Graeme Pullyen. Em 2021, estreia “A GRAVIDADE DE UM PÁSSARO”, com a qual inicia a Companhia Mente de Cão, com Pepa Macua e Catarina Sobral. Seguem-se “TODAS AS COISAS EXTRAORDINÁRIAS/EVERY BRILLIANT THING” e ”CURUPIRA TERNURA SELVAGEM” em cocriação com Baileia.

Desde 2010, tem lecionado disciplinas de Movimento e Interpretação e encenado em várias escolas, como ESTAL, IDS, CEM, EVOE, ESTC/IPL. 

Mestre em Teatro/Movimento, pela ESTC/IPL. Licenciada em Filosofia, pela FCSH/UNL com a tese “o ator, o corpo e o sentido” com José Gil. Fez a sua formação como atriz em Barcelona no Estúdio Nancy-Tuñon e no TEUC. Em 2005, foi selecionada para a Ecole dês Maitres com Carlo Cecchi (IT), tendo colaborado com a EdM em mais duas edições, com Pippo Delbono (IT) e Enrique Diaz (BR). Segue os treinos Suzuki e Viewpoints, desde 2010, tendo estagiado nos EUA com Anne Bogart e no Japão com Tadashi Suzuki. 


MARIA RAMOS

Iniciou o seu percurso como bailarina em 1995, tendo trabalhado com criadoras da nova dança portuguesa, como Sofia Neuparth e Amélia Bentes. Mais tarde, na Alemanha e no Reino Unido, colaborou regularmente entre 2000 e 2009 com os coreógrafos Katja F.M. Wolf, Angus Balbernie e Janis Claxton, destacando-se como intérprete em produções apoiadas pela Tanzhaus NRW (Düsseldorf), Arnolfini e Tobacco Factory (Bristol), CCA Glasgow, San Francisco Dance Festival.

Desde 2006, desenvolve trabalho coreográfico autoral – 7pm/Rumour, Nerves, Um Certo Grau, Something Still Uncaptured e Árida – peças apresentadas em Portugal, Países Baixos e Buenos Aires. O seu trabalho foi apoiado por Korzo Theater, DGArtes, Fundação Gulbenkian, Festival DDD, CCB, DeVIR/CaPA, Espaço do Tempo, entre outros. O desenvolvimento destas criações contou com o diálogo artístico dos coreógrafos e artistas Clara Andermatt, Angus Balbernie e Antony Gormley. Em 2021, foi convidada a repor Something Still Uncaptured na mostra P de Dança – A Gulbenkian e a Dança em Portugal.

Lecciona e desenvolve o seu trabalho de investigação em dança em contextos de formação artística na Escola Superior de Dança e na ESAD.CR. Dirige o Laboratório Coreográfico no Forum Dança. É licenciada e mestre em Dança/Coreografia pela ArtEZ University of the Arts (NL). Foi aluna de figuras incontornáveis da dança pós-moderna – Lisa Kraus, Eva Karczag, Mary O’Donnell Fulkerson, Katie Duck (Magpie), Steve Paxton, Deborah Hay, Gill Clarke, entre outros. Mantém uma prática contínua de formação na área da dança contemporânea – Flying Low, Fighting Monkey e Gaga – articulada com treino regular em artes marciais. Colabora com Madalena Victorino e Joana Pupo em projectos de criação.

 

>> Sobre o percurso e trabalho artístico de Joana Pupo e Maria Ramos: http://joanapupo.blogspot.com | https://mariaramos.net/

>> Sobre os Viewpoints: https://sixviewpoints.com/  |  http://siti.org/